A dimensão mais temida de todos. O Tempo. O inexorável Tempo.
Não perdoa ricos, pobres, famintos, fartos, jovens, idosos, mulheres, homens, animais, humanos, animados ou inanimados. Tudo e todos estão fadados a não permanecerem como estão. O dinamismo do universo, apenas, é assim (querendo ou não). Nós só o aceitamos como regra e dançamos conforme a música macabra que é tocada para nós. Sendo assim, todos temos que dançar: errado ou certo, rápido ou devagar, com alguém ou sozinhos. Nós dançaremos, mesmo que seja a última música ou mesmo que não cheguemos a dançá-la até o fim.
A vida é assim. É, e apenas é.
Nem as coisas mais abstratas resistem ao Tempo.
Nem as maiores amizades, os mais perfeitos amores. Os gostos que antes combinavam, não combinam mais; as longas e produtivas conversas que antes tinham, não passam de 3 minutos; o cheiro tão gostoso que tinha antes, hoje é apenas mais um; o sorriso que alegrava o dia, não passa de um remendo tentando arrumar o que se foi; toda aquela beleza exuberante, só se acha na memória; e assim vai... cada detalhe, agora, não passa de uma mera parte do todo. É assim. Os mais belos laços ruem, inevitavelmente. As lembranças boas ficam (às vezes misturadas com algumas ruins), assim como a consideração, a essência da amizade e do amor. O idealismo fica a mente - perturbando a cada segundo, minuto, hora, dia ou ano - dependendo somente do significado de cada momento.
É fato. Ele vai passar; você vai envelhecer; grandes amizades e amores ficarão só nas lembranças, algumas fisicamente presentes, e raríssimas perdurarão no dia-a-dia até o final.
Não adianta lutar, esbravejar, chorar. Tudo vai passar, (repito) querendo ou não, acabando aqui ou com a morte.
(In)felizmente é assim. Ponto.
Um comentário:
O tempo dá medo. E você escreveu praticamente tudo o que se pode dizer em relação a ele, ou pelo menos me provocou os mais diversos sentimentos e reflexões sobre isso.
Sim, o que nos resta é dançar conforme a música... seja ela como for.
Muito bom o texto...
Cami.
Postar um comentário